O bloco de poder tecno-científico-agroindustrial-financeiro-midiático se vê, pela primeira vez, tendo que responder perante a opinião pública pelo aumento dos preços dos alimentos, ainda que diante do aumento da oferta. Não que não houvessem críticas fundamentadas sobre os riscos da aventura de submeter os alimentos à lógica da liberalização dos mercados. Havia muitas e boas. O complexo de poder tecno-científico-agroindustrial-financeiro-midiático é de tal modo abrangente e abarcador que impede o livre debate, privando a sociedade do direito mínimo ao contraditório. É que as vozes críticas são vistas como “os do contra”, “os mesmos de sempre” que “não são propositivos” e toda uma rede discursiva que a priori desqualifica o outro como um sem-razão, antes mesmo de ser um sem- terra, um sem-teto, um sem-emprego.