Fundação Verde Herbert Daniel

- você sabe o que esta em jogo em Copenhague? -

Walter Tesch (*)


1- Aquilo que as analises cientifica apontavam o que parecia ficção futurista de catástrofes passaram a ser realidades cotidianas no Planeta. Os efeitos das mudanças climáticas. Os paises devem chegar a Copenhague com propostas viáveis para viabilizar um novo pacto para as emissões de gases, o que implicará uma mudança do modo de vida. Alguns países propõem reduzir 50% até 2050, outros, como o Reino Unido propõe de 25% a 40% até 2020. Tudo para evitar que o aquecimento alcance 2 graus Celsius, é isto viável?



2- Segundo todos os estudos atuais do “painel do clima”, a civilização não esta preparada para enfrentar os custos de um aquecimento médio maior que 2 graus Celsius. Os efeitos equivalem a uma falência econômica mundial. Um exemplo para o Brasil e América do Sul: a floresta amazônica não sobrevivera e os efeitos nos ecossistemas, na biodiversidade, na economia agrícola, no sistema de vida será um desastre. O ciclo de chuvas no continente seria afetado, uma vez que a evaporação da floresta funciona como uma bomba de água que alimenta o ciclo clima-chuva no sudeste e continente sul. O Brasil já está sofrendo alguns impactos destas mudanças climáticas. Além da herança para as próximas gerações, este é já um problema nosso. Por isto, todos estão comprometidos no plano individual, coletivo e de governo para com as metas neste processo de construção de um “pacto mundial” para a redução de emissões com maiores exigências e cobranças que o Protocolo de Kyoto de 1997. Certamente a partir de Copenhague a questão passará a outros níveis de controle através de órgãos como a OMC (Organização Mundial do Comercio) com pressões e mecanismos de compensações sobre paises e cadeias produtivas que poluidoras. O não cumprimento das metas gerará taxas ou bloqueios das importações dos produtores poluidores. Regiões como a União Européia buscam aproveitar a crise com mudanças tecnológicas e eficiência energética, visando conquistar posições de inovação no futuro mercado limpo. É neste contexto que temos que formular um projeto de Brasil Sustentável como uma “potencia verde” no futuro imediato



3- A questão climática passa a pesar também na economia e nas urnas. Este foi um tema que diferenciou Bush de Obama nas eleições. No Brasil o ingresso de Marina Silva no cenário 2010 obrigou todos os candidatos a colocaram o tema com destaque em seus discursos. O próprio governo ajustou sua agenda para Copenhague e já se discutem metas. As “barbas estão de molho”, na Austrália, uma das razões da derrota do primeiro ministro Howard, depois de quatro mandatos, foi sua posição conservadora nas medidas internas e nas negociações internacionais sobre o clima. Na França o Partido Verde se torna a segunda força no congresso. O cidadão se informa e sofre os efeitos (enchentes, furacões, fome e sede) e avalia os governos que produzam além de empregos, segurança, alimentos, água e energia. Cada vez mais na África, Europa, Ásia o cidadão toma decisão em referencia a escassez de água para consumo, agricultura e energia. Não é sem razão também, que a CIA (central de inteligência americana) introduziu nas suas análises a variável climática como potencial de conflitos internacional em razão de migrações em massa, escassez de água e alimentos.



4- Estamos em uma transição de paradigma que afeta todas as esferas da vida. O tema não é apenas ambiental, nem de esquerda ou direita, mas de projeto de sociedades sustentáveis em base a seu patrimônio nacional (recursos naturais e seu povo). São vários os desafios imediatos de make police (fazedores de políticas), formatar a reconversão: industriais (não tem sentido subsidiar cadeias produtivas, indústrias poluentes e transportes individuais, investir recursos públicos em exploração de recursos combustíveis fósseis sem vinculação a este projeto), revisão de políticas fiscais e de subsídios, as políticas educacionais, a constituição e utilização de fundos compensatórios setoriais e regionais, o desenho e funcionamento das cidades dentro de um novo paradigma regulatorio. Portanto, abre-se, um campo de batalha de múltiplos e complexos interesses onde se confrontam o egoísmo individual, setorial ou corporativo imediatista com aqueles do bem comum de sobrevivência da própria sociedade. É por isto que se discute o COP15 em Copenhagen em dezembro de 2009.



(*) Sociólogo, foi Subprefeito de Parelheiros (2005-2009) região dos mananciais de São Paulo. Dirigente do Partido Verde. 20-09-09





WALTER TESCH
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