Fundação Verde Herbert Daniel

Por Mario Eugenio Saturno

O ex-vice-presidente dos EUA e líder mundial na defesa da Terra, Al Gore, idealizou e promoveu o show “Live Earth” que foi programado em oito países, incluindo o Brasil, na praia de Copacabana, com entrada franca e com os artistas Macy Gray, Lenny Kravitz, Pharrell Williams, Xuxa, Jorge Ben Jor, Jota Quest, entre outros. O objetivo é divulgar os problemas causados pelo aquecimento global. Entre esses, a desertificação.
A desertificação é um processo de degradação das terras, tornando-as improdutivas. É causada pela ação humana, quando usa inadequadamente a terra para cultivos e pastagens, pelo desmatamento, e ainda pela erosão e pela pouca irrigação. As mudanças climáticas também são agravantes do processo de desertificação.

Para os cientistas, as alterações do clima fazem a desertificação ser o maior desafio da humanidade.
Um estudo da Universidade das Nações Unidas (UNU), sediada em Tóquio, Japão, mostra que desertificação fará com que 50 milhões de pessoas migrem de suas terras em dez anos.

O governo argelino acredita que 65 milhões de africanos migrarão devido à  desertificação até 2025. Atualmente, um bilhão de seres humanos vivem nos desertos e que esse número subirá para quase dois bilhões.

Na China, a desertificação avança 1.283 km2 por ano, afetando 400 milhões de pessoas, e causando prejuízos de US$ 6,5 bilhões. E era pior, o governo chinês conseguiu diminuir o ritmo de desertificação, que era de 3.436 km2 por ano nos anos de 1990.

O objetivo do governo chinês, até 2050, é reflorestar todas as zonas desérticas, o que custará US$ 30,58 bilhões. Só que estão investindo US$ 258 milhões por ano, um terço do que é necessário.

A desertificação ameaça 75% das terras áridas e semi-áridas da América Latina, que constituem um quarto da área da região. E até 2050, metade das terras agrícolas poderá estar perdida, segundo o relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Isso deve afetar de 60 milhões a 150 milhões de pessoas. E serão  400 milhões em 2080.

E hoje já se observa que as chuvas diminuem no Chile, no sul do Peru e no sudoeste da Argentina.
Pesquisadores criticam as políticas latino-americanas de combate ao avanço do deserto. Os esforços são implementados pelos Estados, quando deveria haver uma política geral para o continente.

Algumas ações individuais são bem sucedidas, como a articulação de instituições diferentes, a promoção de pesquisas e de políticas educacionais, e o investimento de recursos governamentais na conservação e recuperação das terras afetadas.

Se quisermos salvar o planeta, a ONU (Organização das Nações Unidas) deverá liderar ações globais. Precisamos de novas práticas agrícolas para reverter o processo de desertificação. É preciso que os países ricos invistam recursos urgentemente.

Outras práticas também estão sendo sugeridas, como o reflorestamento de terras áridas, o uso da energia solar e do incentivo ao ecoturismo.

Podemos ainda usar os desertos e terras semi-áridas associados a tecnologias baratas para gerar energia como os tanques solares conjuntamente com a extração de águas subterrâneas e sua dessalinização, aquacultura, psicultura e irrigação por gotejamento. Em alguns casos, até construir aquadutos para usar a abundante água do mar. Tudo caro, mas factível, e quanto mais rápido se faz, mas barato fica.

Mario Eugenio Saturno é tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano.
(Email: mariosaturno@uol.com.br. Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email)

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