Fundação Verde Herbert Daniel

1.A ecologia urbana é o grande desafio desse século pois cerca de 80% da população brasileira se concentra nas cidades. As cidades estão inseridas no ecossistema que constituiu seu berço, elas são construções humanas sobre um território geográfico, geológico e condições climáticas que interagem incessantemente e condicionam sua vida, para o bem ou para o mal. A crise urbana é cada vez mais intensa e só poderá ser enfrentada com sucesso dentro de uma concepção que se proponha a integrar sabiamente a cidade ao seu ambiente natural e não divorciá-la. A gestão urbana deve receber um tratamento de âmbito nacional em apoio ao poder local.

2.ÁGUAS: o fornecimento de água limpa em quantidade suficiente sem desperdícios e perdas; a construção de redes de esgoto; o tratamento de efluentes domésticos e industriais e a drenagem e disposição adequada das águas pluviais devem ser uma prioridade absoluta na ecologia urbana. Ela deve ser encaminhada através de empresas capacitadas tecnicamente, com uma relação transparente e democrática com a população.

Cabe:
a) a municipalização, descentralização e democratização dos serviços de distribuição de águas, o esgotamento sanitário e a despoluição hídrica, através da criação de conselhos das águas com a participação da sociedade civil;

b) o controle do poder local, sob fiscalização da população organizada sobre a qualidade de prestação de serviços, podendo concedê-los ao setor privado desde que possa assegurar efetivamente esse controle de qualidade dos serviços e das taxas e das tarifas;

c) o tratamento de efluentes domésticos e industriais deve ser implementado e controlado e o uso das águas taxado de acordo com sua utilização e grau de comprometimento.

3.LIXO: o acumulo de lixo em áreas urbanas é um dos grandes fatores responsáveis por inundações e desabamentos, além de constituir ameaça à saúde pública e fator de depreciação da autoestima e da imagem das cidades que não conseguem lidar adequadamente com a sua coleta e destinação final. A má disposição de resíduos industriais, alguns altamente poluentes, contamina o solo, o lençol freático e causa danos gravíssimos à saúde das populações afetadas.

É necessário:

a) diminuir o volume de lixo mudando uma mentalidade de embalagem baseada no desperdício, reduzindo e simplificando ao máximo os invólucros, desestimulando o uso intensivo dos plásticos e obrigando as empresas de bebidas e outras a assumirem sua parte de responsabilidade pela na reciclagem de latas e garrafas plásticas, acabando com a cultura dos descartáveis;

b) assumir o lixo também como um problema cultural com um intenso trabalho de conscientização para obter mudanças comportamentais que tornem cada cidadão co-responsável;
v
c) implementar projetos de coleta comunitária, compra do lixo nas comunidades carentes, onde ele constitui fator de risco, cooperativas de catadores e programas
de separação e coleta seletiva para a reciclagem;

d) considerar a reciclagem de componentes do lixo e do entulho um imperativo ambiental e um investimento cultural na sustentabilidade futura, mesmo quando constitua, no imediato, uma atividade economicamente deficitária;

e) acabar com os vazadouros a céu aberto para a disposição final do lixo substituindo-os por aterros sanitários ambientalmente administrados com reflorestamento, disposição adequada do chorume e captação de gás metano.

d) utilizar usinas de reciclagem e compostagem como soluções adaptadas às nossas condições climáticas e de mão de obra. Já a introdução de incineradores é questionável pelos custos diretos e indiretos, riscos de poluição com dioxinas e outros relativos às soluções de alta tecnologia transpostas fora do contexto climático, técnico e cultural onde foram concebidas, embora isso não deva ser tratado como um dogma para todas as situações.

4.TRANSPORTE: o modelo rodoviarista e o primado absoluto do automóvel como paradigma de deslocamento e de status moldou cidades perversas nas quais o trânsito se transforma num dos principais componentes da violência urbana e onde a população paga caro por um transporte poluente e ineficaz.

É preciso:

a) racionalizar o sistema de ônibus para obter a oferta de um serviço socialmente mais equilibrado e ambientalmente menos poluente. Criar faixas exclusivas, canaletas, estações de rápido embarque, estimular e regulamentar o uso de veículos de maior capacidade, mais silenciosos, com emissões controladas com uma parte da frota movida a gás natural. Integrar, disciplinar e regularizar, o uso de peruas "vans" e outras modalidades de transporte coletivo de pequeno porte, coibindo as atividades "piratas".

b)priorizar o transporte de massas nas suas alternativas mais eficientes e não poluentes, de acordo com as condições específicas da cada cidade: trens de superfície, metrô, Veículo Leve sobre Trilhos - VLT - bonde, trolei, bem como as formas de integração intermodais;

c) implantar sistemas cicloviários com ciclovias, ciclofaixas, bicicletários e educação para sua correta utilização e integrar os sistemas cicloviários com o transporte de massa sobre trilhos, barcas e terminais de ônibus;

d) criar outras facilidades de transporte não motorizado libertando e alargando as calçadas para os pedestres, promovendo a patinação e a caminhada. Proteger o pedestre e fazer valer sua prioridade frente aos veículos;

e) estimular o transporte hidroviário. Aumentar o controle público e comunitário sobre o transporte urbano;

f) estimular a reconversão para o gás natural dos ônibus, caminhões e táxis;

g) desestimular progressivamente o uso intensivo do automóvel, que deve ser tratado como transporte apropriado para deslocamentos de longa distância, e não como transporte para o dia a dia. Para tanto é conveniente multiplicar gradualmente zonas de estacionamento pago.

h) amenizar o tráfego em áreas residenciais, através do desenho urbano que
obrigue a uma redução de velocidade e a um comportamento mais prudente do automobilista;

i) adotar estratégias de zoneamento estimulando o desenvolvimento local, os usos múltiplos dos bairros, com geração de emprego mais próximo do local de moradia.

j) investir na diminuição da demanda de transporte pelo desenvolvimento tecnológico e pelo estímulo ao trabalho doméstico com a supressão de viagens, portanto menos desperdícios energéticos, emissões de poluentes, congestionamentos e neurose urbana.

5. AR: A poluição atmosférica é uma das principais causas de degradação da saúde nos centros urbanos e periferias industriais.
Cabe:

a) aperfeiçoar seu monitoramento e elaborar novas leis e metas que acompanhem uma tendência internacional cada vez mais exigente;

b) reduzir as emissões automotivas, industriais e domésticas de gases de efeito local (particulado em suspensão, SO2, CO, NOx, hidrocarbonetos, ozônio etc.) de forma articulada com medidas de redução das emissões de dióxido de carbono(CO2) e de metano que contribuem para o chamado efeito estufa(ou aquecimento global) dentro da meta de redução das emissões em 20% até o ano 2005, conforme prevê a Convenção sobre o Clima, adotada na Conferência Rio 92;

c) instituir a inspeção ambiental anual de todos os veículos retirando de circulação os irrecuperavelmente poluentes e obrigando os demais a cumprirem padrões progressivamente mais rígidos de emissão.

d) estabelecer parâmetros urbanísticos que permitam diminuir emissões, garantir corredores de ventilação e evitar ilhas de calor;

6.O VERDE URBANO: As áreas verdes de florestas urbanas ou periféricas, parques, jardins e arborização de rua são indispensáveis para um ambiente urbano minimamente sadio. A preservação do verde urbano não passa pela tentativa de mantê-lo intocável mas pelo seu uso e aproveitamento bem organizado e compatível. O verde "selvagem" no espaço urbano é de extrema vulnerabilidade e sua não utilização, como unidade de conservação aberta a um uso regulado e disciplinado pela população, o expõe à ocupação irregular ou transforma em vazadouro de lixo e entulho. A existência de um sistema integrado de parques, corredores verdes, bacias de acumulação de águas pluviais, dotadas de vegetação compatível, bem como áreas livres de impermeabilização são importantes para uma qualidade de vida aceitável e para a prevenção de inundações. A arborização de rua - parte mais vulnerável do ecossistema urbano - tem um papel indispensável na mitigação do calor, da poluição do ar e sonora. A proteção e o manejo superavitário da arborização pública é um dos grandes desafios de ecologia urbana.

É preciso:


a) reflorestar as áreas desmatadas e/ou degradadas em encostas, faixas marginais de proteção de lagoas, rios e canais, áreas de mangue e restinga, sempre que possível, através de mecanismos que mobilizem as comunidades como, por exemplo, o mutirão remunerado;

b) tirar do papel e implantar efetivamente as unidades de conservação urbanas que devem ser demarcadas, sinalizadas, protegidas e dotadas de infra-estrutura, buscando-se parcerias com ONGs e empresas privadas para sua implantação prática e conservação;

c) proteger e manejar adequadamente a arborização de rua assegurando que a sobrevivência e desenvolvimento das espécies plantadas ultrapassem amplamente as perdas inevitáveis dentro de um cronograma gradualista e cuidadoso. Instituir rotinas de tratamento das espécies doentes e uma política de podas cuidadosa e apropriada;

7. URBANISMO VERDE: urbanismo vigente é condicionado pelo rodoviarismo, pelo primado absoluto do transporte individual e dominado pelo modernismo, concepções que promovem a desintegração social e um virtual "apartheid" urbano opondo dois universos: de um lado a classe rica e média, motorizada, em bairros residências e condomínios fechados e do outro os pobres e excluídos em favelas ou periferias miseráveis. Um urbanismo verde que conceba a cidade como parte da natureza que a cerca e como espaço democrático de integração social e solidariedade que considera a rua como local privilegiado de convívio e questiona as propostas que tendam a segregar ou isolar.

O urbanismo verde defende:

a) o conceito de usos múltiplos compatíveis com ruas onde se combine harmoniosamente o residencial com o comercial, espaços culturais e de lazer etc. quebrando-se as segregações rígidas que condicionam horários vazios (portanto de insegurança) e induzem a deslocamentos automobilísticos mais freqüentes e longos;

b) O estímulo ao comércio lojista de rua como forma de manutenção do multiuso dos bairros e a construção de shoppings condicionados ao planejamento urbano sustentável. Uma tipologia urbana mais densa e tradicional, que permita a redução dos desperdícios energéticos e dos investimentos em infra-estrutura;

c) as calçadas livres para a circulação e o convívio coibindo sua ocupação abusiva e desordenada, disciplinando o comercio informal em áreas compatíveis;

d) a municipalização das políticas habitacionais com utilização dos recursos do sistema financeiro de habitação na construção de habitações para os setores mais carentes, privilegiando soluções comunitárias, baratas e em dimensões sustentáveis, em sistema de compras coletivas e mutirão;

e) a urbanização de favelas, sua integração à cidade formal com titulação dos moradores e uma legislação urbanística e ambiental específica;

f) limitação do crescimento das favelas já existentes, sobre áreas verdes contíguas, criando limites físicos, procedendo à educação ambiental e a pactos de auto- regulação do crescimento em contrapartida de benfeitorias e programas de mutirão remunerado;

g) fornecimento de lotes urbanizados e de material de construção para a população carente, em áreas adequadas, preferencialmente em escala pequena e média;

h) desestímulo à criação de grandes conjuntos em áreas distantes de periferia, onde não existe infra-estrutura e os custos de transporte em tempo e dinheiro são exorbitantes para os moradores;

i) enfrentamento da ocupação irregular em áreas de risco, de proteção ambiental e de mananciais, combate à industria das invasões e da construção e comércio de habitações precárias nestas áreas. Criminalização efetiva da grilagem urbana e do parcelamento ilegal;

j) o combate à poluição sonora mediante regulamentação industrial para a fabricação de equipamentos menos ruidosos, medidas de operação de trânsito, aplicação local da legislação vigente e educação ambiental para o conforto acústico;

k) defesa do patrimônio paisagístico e arquitetônico com medidas contra a poluição visual. Combate à pichação;

l) implementação da Agenda 21 no plano local.

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Respostas a este tópico

Uma discussão antiga que precisa ser resgatada é a questão do tamanho das cidades. A visão de que o aumento populacional significa progresso já perdeu o sentido a olhos vistos.
Penso que cidades com mais de um milhão, um milhão e meio de habitantes são inviáveis do ponto de vista da qualidade de vida nos aspectos ambiental, social e político. Do ponto de vista ambiental, quanto maior a cidade maior o seu impacto na natureza, maiores os impactos para abastecê-la de serviços como água, esgoto e energia e maiores as dificuldades para manter o seu proprio meio ambiente saudável e preservado. As metrópoles segregam a maioria de seus habitantes, empurrando-os para as periferias e quebrando o vínculos que eles deveriam ter de pertencimento à comunidade. Em termos políticos administrativos elas são inviáveis pois demandam recursos cada vez maiores para soluções apenas paliativas, que em pouco tempo se tornam insuficientes, demandando mais obras, mais recursos et cetera.
O Brasil é um país desigualmente ocupado, o que gera um desenvolvimento também desigual e um sub-aproveitamento das potencialidades econômicas de suas riquezas. Temos vários problemas de fronteira, acarretados por essa ocupação desigual. Infindáveis agressões ao meio ambiente que poderiam não acontecer se o estado se fizesse mais presente, o que seria facilitado por um outro modelo de ocupação territorial. Hoje, com o conhecimento que acumulamos sobre urbanismo e preservação ambiental poderíamos incentivar o desenvolvimento de cidades médias com muito maior qualidade de vida para seus habitantes, mais fáceis e menos dispendiosas para administrar, com planejamento para melhor explorar nossas riquezas de forma sustentável.
Alexandre Miranda- BH/MG
Olá,

Segue um idéia:


AGRUPAMENTO ECOLÓGICO DE INDÚSTRIAS
Autor: Prof. Me. Cassio Vellani
e-mail: empresaecologica@yahoo.com.br

INTRODUÇÃO

O Século XXI começa com a inserção da proteção ambiental no planejamento estratégico das empresas. Exige-se criatividade dos gestores na formulação de estratégias para solucionar os problemas relacionados com a emissão de contaminantes. Muitas empresas ao redor do mundo mantêm ações ecológicas para evitar geração de poluição ou reduzir, amenizar e tratar o resíduo liberado.
Observa-se que, nos processos produtivos empresariais, a geração de resíduo significa desperdício, ineficiência do processo produtivo. Poluição é desperdício, na forma de resíduo líquido, gasoso ou sólido. Resíduo significa perda monetária e de material. Monetário porque uma parte do capital se perde junto com os resíduos e materiais por desperdiçar insumos ao não aproveitá-los totalmente.

O problema

Em relação aos resíduos sólidos, alguns setores industriais já possuem tecnologia para solucionar o problema, mas em outros ainda não há solução para sanar tal distúrbio. Por causa disso surge a seguinte questão: qual pode ser a solução no curto prazo para os resíduos sólidos das empresas? Uma possível solução para esse problema seria a aplicação do conceito Agrupamentos Ecológicos de Indústrias, que compreende o estudo das características e utilidades dos resíduos gerados por um conjunto de empresas visando utilização desses detritos pelo próprio grupo.
Para responder essa pergunta, normalmente o pesquisador elabora o Objetivo que, segundo Richardson (1999), define o que se busca com a execução da pesquisa. No entanto, Martins (2006; p.69) explica que em um projeto de pesquisa que utiliza a estratégia Estudo de Caso não são apropriadas formulações de objetivos e hipóteses. De acordo com Martins (2006; p.69) a própria dinâmica dessa estratégia de pesquisa e o interesse em analisar a proposição admitida orienta o pesquisador na definição do que se busca com a execução da pesquisa.

A proposição

Segundo Yin (2005; p.42) e Martins (2006; p.68) as proposições servem para orientar o Estudo de Caso. Permitem a correta direção para o seu desenvolvimento. Indica o que deve ser pesquisado dentro do escopo do estudo. Nesse sentido, as proposições podem ser entendidas como uma teoria preliminar criada pelo autor para ser, no decorrer da pesquisa, demonstrada e defendida.
O conceito Agrupamento Ecológico de Indústrias busca mapear os resíduos sólidos das indústrias de determinada região na tentativa de descobrir se certo resíduo de uma ode ser matéria-prima para o processo produtivo de outra. Segue a proposição: o Agrupamento Ecológico de Indústrias pode ser a solução para os desperdícios de materiais das indústrias, pois os subprodutos ou resíduos sólidos de uma empresa podem ser vendidos à outra do grupo. Evita-se assim, contaminação dos ecossistemas, desperdício de material e perda monetária.
Essa é a proposição a ser investigada.

Metodologia

Metodologia pode ser vista como o caminho percorrido pelo pesquisador para alcançar seu objetivo. Neste projeto estratégia de pesquisa compreende o Estudo (holístico) de Casos Múltiplos (tipo 3). A ilustração subseqüente visualiza a metodologia:











Figura 1 – O Estudo (holístico) de Casos Múltiplos (tipo 3).
FONTE: Baseado em Yin (2005; p.61).

Conforme a figura 1 serão analisados os resíduos sólidos de cada empresa e identificadas as possibilidades de comercialização desses resíduos entre os membros do grupo. A comercialização dos resíduos sólidos pode gerar incremento de receita para as empresas participantes do agrupamento ecológico e reduzir os resíduos sólidos despejados nos ecossistemas.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
O conceito de Agrupamento Ecológico de Indústrias foi elaborado por uma organização chamada “Zero Emissions Research and Initiatives – ZERI” que em português pode ser entendido como Pesquisas e Iniciativas de Emissão Zero. A ZERI é uma rede internacional de estudiosos, empresários, membros de governos e educadores que foi fundada, segundo Capra (1999; p.242-247), pelo empresário Gunter Pauli que introduziu a noção de agrupamento de indústrias pela promoção do princípio de emissão zero, constituindo o próprio núcleo do conceito ZERI.
De acordo com Capra (1999; p.242-247) esses agrupamentos ecológicos de indústrias já foram organizados e implementados em diversas partes do mundo pela organização ZERI. Adota como primeiro princípio de um projeto ecológico é que os resíduos são matérias-primas. Isto significa que todos os desperdícios eliminado pelas indústrias devem, em algum momento, servir para nutrir algum outro processo produtivo. Esse conceito esforça-se para eliminar a própria idéia de desperdício tomando a natureza como modelo e mentora.
Capra (1999) analisa que enquanto os sistemas industriais são lineares os ecossistemas da natureza são cíclicos. Como na natureza a matéria circula continuamente, o saldo total de resíduos gerados pelos ecossistemas naturais é zero. Já as empresas humanas usam recursos naturais transformando-os em resíduos e produtos. Estes são vendidos aos consumidores finais que emitem mais resíduos depois de usá-los.
As indústrias podem se espelhar nos processos biológicos para conseguir aumento de produtividade, redução de custos e incremento de receitas por meio de conexões entre os processos produtivos. Resíduo pode ser entendido como a parte dos insumos que não foi transformada em produtos ou serviços. Lima (1995, p.14) define resíduo como o desperdício liberado pelos processos produtivos industriais e o classifica em quatro categorias:

• Categoria 1: resíduos considerados perigosos. Requerem cuidados especiais quanto à coleta, acondicionamento, transporte e destino final, pois apresentam substancial periculosidade, real ou potencial, à saúde humana ou aos organismos vivos, e se caracterizam pela letalidade, não degradabilidade e pelos efeitos acumulativos adversos;
• Categoria 2: resíduos potencialmente biodegradáveis e/ou combustíveis;
• Categoria 3: resíduos considerados inertes e incombustíveis;
• Categoria 4: resíduos constituídos por uma mistura variável e heterogênea de substâncias que individualmente poderiam ser classificadas nas categorias 2 ou 3.

Há resíduos muito tóxicos inaproveitáveis e outros que quando manuseado de forma adequada podem retornar aos processos produtivos das empresas. O cuidado consiste em avaliar os custos para o manuseamento de determinado detrito e refletir se compensa financeira e ecologicamente emitir tal resíduo e tratá-lo ou manter ações ecológicas para reduzir sua emissão.
O resíduo pode significar perda monetária e de material para a empresa. Material, por desperdiçar insumos e não aproveitá-los totalmente. Monetária porque a parte não aproveitada de material consumiu recursos na sua compra e no seu processamento. Portanto, poluição é desperdício, ineficiência do processo produtivo. Para a compreensão disso a UN (2001) utiliza a seguinte ilustração:


Figura 2 – Fluxo físico e monetário numa fábrica de tintas
FONTE: UN (2001; p.42)

Observa-se que os recursos (inputs) injetados no sistema empresa são liberados em forma de produtos (outputs), serviços (outputs) e resíduos (outputs não-produtos). Segundo a figura 2, há entradas (inputs) de 100 kg de material no sistema empresa. Esse material é transformado nas seguintes saídas (outputs e outputs não-produtos): 12 kg de produto (output); 29 kg de emissões gasosas (output não-produto); 43 kg de resíduos sólidos (output não-produto); e 16 kg de águas residuais (output não-produto).
Ou seja, a empresa utilizou 100 kg de material (inputs) para produzir 12 kg de produto (outputs) e 88 kg de resíduos (outputs não-produto). Financeiramente, os recursos consumidos custaram 1000 €. Desse total de recursos somente 390 € saem na forma de produtos. O restante 610 € pode representar perdas se não forem revertidos em novos inputs, em novos outputs ou repassados ao preço de venda do produto.
Para mapear a emissão dos resíduos o quadro a seguir demonstra um tipo de contas de entradas e saídas que pode ser utilizado por uma empresa para identificar os insumos (inputs) e os produtos (outputs) e resíduos (outputs não-produtos) de seu processo produtivo. Um exemplo desse mapa é apresentado no quadro seguinte:


Quadro 1 - Mapa de contas de entrada e saída
FONTE: Baseado em UN (2001; p.43).

No quadro 1 as entradas (inputs) são matérias-primas, materiais secundários, embalagens, materiais auxiliares, componentes, energia e água e as saídas são produtos (outputs) e resíduos sólidos, águas residuais e emissões atmosféricas (outputs não-produtos).
Com esse mapeamento pode-se visualizar o fluxo de recursos no sistema empresa e auxiliar a gestão ambiental ao possibilitar quantificar quanto dos insumos se transformaram em produtos ou serviços, avaliar o grau de eficiência do processo e comparar quanto de inputs se transformaram em resíduos e poluição.
Romm (1996) explica que grande parcela da poluição é conseqüência dos processos ineficientes desenvolvidos décadas atrás. Surgiram num tempo de abundância de terras e recursos. Ignoravam os perigos da poluição e o uso excessivo de recursos. Porém, o contexto dos negócios mudou e a tecnologia dos processos produtivos deve mudar para tornar as empresas mais ecoeficientes.
Nesse novo contexto, de acordo com Hawken, Lovins e Lovins (1999, p.9-19), as empresas interessadas em transformar seus parques operacionais em modelos sustentáveis podem programar as seguintes estratégias:

○ A Produtividade Radical dos Recursos: a estratégia consiste em usar os recursos de maneira 10 a 100 vezes mais produtiva. O uso mais efetivo dos recursos reduz o consumo de insumos e melhora a eficiência do processo produtivo. Isso pode acarretar custos mais baixos para os negócios por reduzir o consumo de recursos naturais;
○ O Biomimetismo: nenhum desperdício, nenhum veneno. Essa estratégia visa reorientar a produção segundo linhas biológicas. Sistemas industriais redesenhados no formato de sistemas biológicos possibilitam a reciclagem constante do material em ciclos fechados contínuos. Isso reduz as pressões sobre os sistemas naturais, transforma os resíduos emitidos durante o processamento dos produtos e serviços da empresa em insumos ou produtos para o reaproveitamento lucrativo. Essa estratégia retira os filtros das chaminés e os coloca na cabeça do projetista;
○ Uma Economia de Serviços e Fluxos: essa estratégia altera a relação fundamental entre produtor e consumidor. Transforma uma economia de bens e aquisições em uma economia de serviço e fluxo. Uma mudança do modelo de negócios, da venda de mercadorias ao leasing de um fluxo contínuo de serviços para atender as necessidades dos clientes. Como os clientes atuais exigem qualidade ambiental, os serviços ofertados convergem para a proteção do meio ambiente;
○ Investindo no Capital Natural: essa estratégia compreende investir na sustentação, na restauração e na expansão dos estoques de capital natural (serviços prestados gratuitamente aos homens pelos ecossistemas). Isso estimula a biosfera a produzir serviços de ecossistemas e mais recursos naturais.

Essas estratégias são inter-relacionadas e interdependentes. Juntas elas podem gerar, para as empresas, benefícios e oportunidades em mercados, finanças, material, distribuição e emprego. Todas essas estratégias retro descritas são para reduzir resíduos, pois estes são os agentes causadores da poluição. O gerenciamento ecológico pode tornar o negócio menos poluente e mais lucrativo. Sem escória não há poluição. Logo, não há desperdício. Gestão de detritos para obter ecoeficiência: desempenho ecológico e econômico.

CRONOGRAMA

Na tabela a seguir é apresentado o cronograma do projeto a ser desenvolvido:

Tabela 1 - Cronograma
FONTE: Elaborado pelo autor.

Conforme a tabela 2 são sete etapas para as atividades em seis períodos de três meses. Por meio desse cronograma este projeto almeja ser elaborado.

REFERÊNCIAS

CAPRA, Fritjof. Conexões Ocultas: Ciência para uma Vida Sustentável. 11ºEd. São Paulo: Cultrix, 1999.

HAWKEN, Paul, LOVINS, Amory e L. Hunter. Capitalismo Natural. São Paulo: Ed. Cultrix, 1999.

LIMA, Luiz Mário Queiroz. Lixo: tratamento e biorremediação. 3. ed. São Paulo: Hemus, 1995.

MARTINS, Gilberto de Andrade. O estudo de caso: uma estratégia de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2006.

RICHARDSON, Roberto Jarry. Pesquisa social: métodos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1999.

ROMM, Joseph J. Um passo além da qualidade: como aumentar seus lucros e produtividade através de uma administração ecológica. Tradução. Caetano Manuel Filgueira Pimentel. São Paulo: Futura, 1996.

UN, UNITED NATIONS. Environmental Management Accounting: Procedures and Principles. United Nations Division for Sustainable Development. United Nations, New York, 2001. Disponível em: http://www.un.org/esa/sustdev/publications/proceduresandprinciples.pdf. Acesso em: 01 abril 2005.

YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. Tradução Daniel Grassi. 3 ed. Porto Alegre: Bookman, 2005. p. 212.
Sou mestre em engenharoa de transportes pela COPPE/UFRJ e trabalho no desenvolvimento de sistemas de levitação magnetica como alternativa para o transporte urbano. Pelas nossas pesquisas o sistema de levitação será consideravelmente mais barato, energeticamente MUITO mais eficiente e com menores emissoes de ruido.

Caso queiram conhecer o projeto e colocar no porgrama de governo estou a inteira disposição para esclarecimntos. Ate meados do ano que vem já teremos cerca de 2km em operação.

É um projeto inovador e que pode atrair muita mídia.

Outra sugestão que entra não apenas na area de transporte mas tambem de energia é a flexibilização dos horarios (em especial de grandes consumidores de energia) como forma de otimizar a rede de transporte e harmonizar melhor os horarios de pico.

Acho que sustentabilidade entra não apenas em novos projetos mas tambem no planejamento das atividades atuais de forma de conseguir a melhor relação custo beneficio

Abraços
Raphael

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