Depois de assistir a mais um escândalo envolvendo a classe político, como é este que está enlameando o Senado Federal, reafirmo meu posicionamento: o Brasil necessita urgentemente convocar uma constituinte exclusiva para discutir e votar a reforma política.
O que se deseja de um sistema político sério é que ele permita aos eleitores escolherem seus representantes baseados em uma combinação de duas premissas: conhecer as propostas defendida pelo candidato e saber se o candidato tem uma história de vida que o habilite a defesa dessa proposta. Um sistema eleitoral assim, deve primar pelo debate e pelo acesso as informações sobre os candidatos, aliado a filtros que retire do pleito os candidatos, declaradamente, improbo.
O sistema atual é formado por retalhos que jamais produzirão uma colcha. Não existe uma unidade e um propósito, o que existe são excessos de regras que judicializam o processo eleitoral, entregando aos tribunais e seus operadores a decisão final sobre eleições.
Este sistema tem gerado um processo eleitoral, onde o debate é ausente, permitindo que os eleitos sejam apenas aqueles, capazes de operar redes de relacionamento eficazes. Estas redes se formam a partir de interesses concretos, geralmente atendidos com recursos públicos.
As redes começam embaixo, com vereadores e prefeitos, que as montam com lideres sindicais, comunitários, representantes de ruas ou com grupos de interesses, seja um time de futebol, ou um grupo cultural. O custo da rede é dividido com o candidato a prefeito, deputado estadual. Estes, por seu turno, colocam suas redes a disposição dos federais, senadores, dividindo os custos de manutenção. O atendimento aos líderes locais da rede pode ser feito, dependendo do caso, com emprego ou recurso público. Satisfeito a necessidade do operador local da rede, garante-se o voto sem precisar discutir proposta para solucionar os problemas da sociedade.
O processo eleitoral, baseado nas redes, tem um custo financeiro altíssimo, que é suportado pelo erário, seja de forma direta ou indireta, e gera um resultado duvidoso, pois se elege pessoas sem qualquer compromisso com temas fundamentais para construção ou consolidação de uma sociedade moderna, arejada e possibilitadora de avanços no processo civilizatório.
Para reformar e mudar esta realidade, enfrentamos um dilema: como fazer uma reforma com quem se elegeu por um processo viciado e que não deseja alteração ? Surgem, pois, uma única alternativa, uma assembléia constituinte exclusiva, capaz de operar mudanças necessárias e profundas. Para conquista-la, porém, é preciso uma mobilização da sociedade civil. Só assim alcançaremos nosso propósito.