27/11/2009
Por Gilberto Abreu, vereador PV de Ribeirão Preto
Uma ducha de água fria... ou não?
Ban Ki-moon - Secretário Geral da ONU:
"Deixarmos de fechar um pacto amplo em Copenhague seria moralmente indesculpável, um ato de miopia econômica e inconveniência política”.
ALÉM OU AQUÉM DO G-20, G-2
Parecia que as atenções do Mundo se voltavam para Copenhague, onde haverá a importante Conferência em busca de um Tratado Climático Global, entre os dias 7 e 18 de dezembro próximo. Isso porque as metas anteriores do Protocolo de Kioto revelaram-se muito tímidas, o que já se sabia. Votado em 1997, com a omissão dos maiores poluidores, sobretudo os Estados Unidos e a China, entrou em vigor apenas em fevereiro de 2005. Mas representa um marco. É a primeira atitude concreta de reverter processos de degradação ambiental históricos. Além de Kioto, então, Copenhague. Os mesmos países que boicotaram o primeiro agora querem adiar o segundo, dizendo assim Copenhague não, Cidade do México. Foi o que afirmaram Barack Obama e Hu Jintao, reunidos dias atrás na potência asiática. Como o fica o G-20, o grupo das 20 maiores economias do Mundo, Brasil incluído?
Não fica. Além ou aquém do G-20, há o G-2.
DECEPTION !
Foi o que eu mesmo escrevi no e-mail da Casa Branca. O sentimento generalizado foi esse. “Estamos realmente muitíssimo desapontados com o que Obama disse”, afirmou Thomas Henningsen, coordenador climático do organismo ambientalista Greenpeace. “É realmente mais um passo atrás do que um passo à frente.” Além da costumeira resistência chinesa que não quer afetar os seus elevados níveis de crescimento econômico, apesar dos desastres ambientais que tem provocado, a posição americana não é diferente. Condiciona qualquer ação ao que vierem a propor os chineses. Que nada propunham.
OS EXTREMOS CLIMÁTICOS
O descongelamento de geleiras em ambos os pólos, nas Cordilheiras dos Andes e do Himalaia, na Cadeia dos Alpes e até em montanhas africanas como no Kilimandjaro, fatalmente afetará o nível dos oceanos, além de provocar significativas mudanças no curso das correntes marítimas. Os ganhos territoriais nas áreas temperadas não compensará a desertificação das áreas inter-tropicais. Fauna e flora que compõem a diversidade natural serão diretamente afetadas e o que não dizer de quantas centenas de milhões de pessoas passarão a ter as suas vidas ameaçadas? Os catastrofistas já anunciam o Apocalipse. Haverá tempo de evitá-lo? Só o próprio tempo nos dará a resposta.
A VIRADA POSSÍVEL
A imensa popularidade alcançada por Barack Obama, dentro e fora dos Estados Unidos, revela o seu peso. A repercussão de suas falas em Pequim não foi das melhores. Tanto, que em sua recente visita à Índia, a idéia de compromisso teve de voltar. Mesmo que não seja assinado um Tratado definitivo, somando-se a nova postura chinesa anunciada por Hu Jintao de que o seu país deve reduzir as suas emissões em 45% até 2020, retornam os sinais de otimismo. Há apenas cinco anos, o governo chinês sequer colocava essa hipótese na mesa de discussões. Um avanço evidente.
O governo brasileiro, em que pesem algumas dúvidas sobre os números anunciados, lavrou um tento ao anunciar uma redução quase semelhante. Os europeus, tradicionalmente mais conscientes na questão ambiental, devem marcar importante presença na capital dinamarquesa .
Mesmo que não saia um texto definitivo, mais provável de acontecer na Cidade do México no próximo ano, Copenhague tem tudo para ser um marco histórico. Acredito que a questão crucial que virá a dominar as discussões será a de como incluir regiões e países extremamente pobres, como os africanos e não poucos latino-americanos e asiáticos. Se sequer produzem o mínimo que lhes baste como obrigá-los a compromissos que não podem e não devem assumir. Aliás, o mais sensato, é o que algumas lideranças, dentre as quais se destacam o Primeiro Ministro George Brown e a Chanceler Angela Merkel, além do Presidente Nicolas Sarkhozi, defendem: a criação de um fundo de proteção de recursos naturais, onde os países necessitados viessem a receber verbas internacionais para os protegerem. O que inclui o Brasil, desde que o nosso governo faça a lição de casa, proscrevendo a vergonhosa devastação da Amazônia.
Uma coisa já é certa. O Mundo acompanhará o dia a dia da Conferência. Outra boa notícia: o Presidente Barack Obama estará em Copenhague no dia 9 de dezembro. A caminho de Oslo, onde receberá o Prêmio Nobel da Paz. Excelente ocasião para demonstrar ao Mundo que realmente é merecedor da honraria. Ou não. Fiquemos atentos.