Fundação Verde Herbert Daniel

Herbert Daniel

Quem foi Hebert Daniel ? “Herbert, nome de pia e registro; Daniel, nome de guerra que pegou. Estudante de Medicina na UFMG; 1,64m; crítico de cinema no rádio, Belô; dispensado do exército (regular) por insuficiência física (miopia? Pé chato?); autor de teatro estudantil; cabelos muito enrolados, olhos castanhos e semicerrados, chato nariz; vice-presidente do DCE da UFMG; gordinho; militante sucessivamente da Polop, Colina, Var-Palmares e VPR; clandestino durante seis anos, sem nunca ter sido preso; homossexual, já não mais clandestino; assaltante de banco, puxador de carro, planejador de sabotagem, guerrilheiro em Ribeira, seqüestrador de embaixador (em número de dois), remanescente; leitor, sempre, sempre; escritor de panfletos, aprendiz de ginasta; tímido não dançarino; jornalista em Portugal, em revista feminina; em Lisboa, estudante de Medicina reincidente; casado, com homem, claro, homossexual; calça 39, usa 40; massagista, garçom, caixa, leão-de-chácara, gerente, porteiro de saunas de pegação de viados, em Paris, capitale de France, voilà; discurseiro, falador trilingüe inveterado, pensante tanto quanto, com sotaque – não se nasce em Minas impunemente. Descoberta de saber fazer quase nada de quase tudo: ocupação de vagabundo. Penúltimo exilado em Paris: escapou da "anistia". Sem indulto (escapou por insulto), foi prescrito : reparou em vida alheia. Escritor."

Em 1986, candidatou-se a deputado estadual pelo PT do Rio de Janeiro, não obtendo votação suficiente para sua eleição. Participou da formação do Partido Verde junto Fernando Gabeira, Alfredo Sirkis e outros ex-militantes e exilados do período da ditadura militar. O legado recente que Herbert Daniel deixou para a humanidade foi sua luta para desarmar e entender o pânico e, às vezes, a violência causada pela complexidade cultural da linguagem distorcida associada à aids. Herbert Daniel imaginou outras possibilidades mais lúcidas e humanas sobre as relações sociais, médicas e trabalhistas.

Sugeriu respostas solidárias para o desafio do convívio da humanidade com mais um vírus mortal, sobre viver com aids. Imaginou poder difundir outras vertentes de se vivenciar a aids, de se promover a participação social e política em prol do redirecionamento da concepção ideológica do estigma e do desterro, da necessidade de se difundir a informação da prevenção e da responsabilidade da participação governamental defronte a uma epidemia que coloca em risco a vida de milhares de brasileiros. Seu discurso era também sua imagem. Usou sua coragem como poucos para mostrar seu rosto e dizer através dos meios de comunicação que ser portador do vírus da aids, não significa necessariamente a morte civil.


outros vídeos

© 2014   Criado por Administrador FVHD.

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço